segunda-feira, 6 de março de 2017

Brincadeiras simples para desenvolver coordenação motora das crianças


Ouve-se com frequência nos consultórios: “Doutor, estou preocupado com o futuro de meu filho na escola e gostaria, desde já, de comprar brinquedos que poderiam estimular mais cedo habilidades que o preparem para chegar mais apto para a aprendizagem escolar. O que devo fazer? Quais brinquedos posso adquirir?”.   Esta dúvida cerceia com muita frequência as angústias dos pais que querem ver seus filhos atingirem o que se esperam deles nas escolas. Além disto, sempre vem a ideia atraente de aquisição precoce de competências para redução de danos futuros quando os processos escolares se tornam, progressivamente, mais complexos.
A aprendizagem escolar é um processo sequencial de aquisição de competências que basicamente devem proporcionar aos alunos se apropriarem da leitura, escrita e matemática. A construção destas habilidades devem ser, antes de tudo, alicerçadas por habilidades cognitivas mais básicas, que podemos chamar de pré-requisitos. Como pré-requisitos básicos, podemos estimular na infância atividades neuropsicomotoras que envolvem atenção seletiva e sustentada, coordenação motora, memória sequencial, consciência fonológica e numérica, espacialidade, funções executivas e lateralização.
Dentre estas, o desenvolvimento da coordenação motora é uma das mais importantes, pois permite que a manipulação sequencial de objetos auxilie a criança em treinar ritmo, persistência e controle inibitório nas atividades;   estimula a repetir ações previamente observadas que ajudam na sua memorização e na sua organização; proporciona à criança auto-corrigir falhas ou exageros que possa ter cometido durante o ato motor;   ela passa a aprender a utilizar ferramentas diversas para resolução dos mais diversos problemas e desafios que porventura aparecerão; ajuda no controle motor e na relação deste com o tempo de concluir as ações.

Quais brincadeiras poderiam auxiliar e estimular a criança em todos estes processos descritos acima?

1) Manipulação de revistas (folhear, rasgar o papel, amassar, enfim… brincadeiras que auxiliem manipulação motora).

Esta atividade ajuda a criança a controlar melhor sua ação motora para poder rasgar e amassar direito e com limites, ajuda ela a manipular materiais para transformá-los em novos materiais estimulando a criatividade, a percepção visual, a atenção sustentada para persistir na atividade até concluí-la, reduzir movimentos inúteis ou desestabilizadores para fazer direito a atividades, etc. Além disto, manipular este tipo de material deixa a criança mais íntima e familiarizada com letras, números e material impresso.

2)   Massinha: fazer pão, biscoito ou simplesmente massinha.

O uso de massinhas, além de muito prazeroso para a criança, ajuda-a a criar formas e abstrair imagens no concreto auxiliando no auto-controle, na atenção e na coordenação motora sequencial. Massinhas coloridas e associação com espátulas dinamiza mais este recurso ajudando-a a visualizar e materializar novas formas e novos objetos que serão criados a partir de uma massa sem forma definida.

3)   Enfiagem de macarrão em fios ou com barbantes coloridos.

Esta atividade ajuda a criança a “acertar o alvo” do buraco ao qual deverá introduzir o barbante. Isto estimula a atenção, a coordenação motora fina e prepara a criança para o uso futuro do lápis, pois simula a ação que envolve este instrumento. Este tipo de brincadeira pode ser ampliado unindo objetos, formando letras e números, aprendendo a dar nó, pendurando coisas, unindo formas e ajudando a criança a memorizar sequências de tarefas.

4)   Dedoches.

Imagens e totens que podem ser fixados nos dedos das crianças podem ser muito úteis para coordenação motora, pois auxiliam no uso dos dedos para teatralizar personagens numa sequência de histórias. Isto permite à criança aprender a associar palavras com ações coordenadas, unindo processos de linguagem ao processamento visual e decisão de movimentar determinados dedos.

5)   Pintura com guache.

Usar pincéis para pintar é um recurso valioso para a coordenação motora, pois permite que as crianças controlem melhor a preensão do pincel, sintam a consistência do instrumento sendo pressionado no papel, compare a necessidade de colocar mais tinta de acordo com o que fica representado no plano do papel. O guache seca rápido, não? Então, a criança deve agilizar a pintura para que resulte numa imagem homogênea estimulando-a a usar o tempo como um modulador da prática motora.

6)   Dobraduras simples.

As dobraduras estimulam noção de proporção, espaço, linearidade na ação motora, criatividade, atenção seletiva e sustentada e memorização de formas e sequências. Dependendo do material que será dobrado, ajuda a criança a usar sua força de acordo com a resistência do material.
Enfim, estas brincadeiras devem ser realizadas em casa e na escola a fim de sejam amplamente desenvolvidas pela criança antes que ela chegue na fase de alfabetização. Além disto, engajam os pais a participarem de meios lúdicos junto aos seus filhos aprofundando as relações afetivas e conhecimento espontâneo acerca do que seu filho gosta e de como ele reage a desafios e erros. As brincadeiras representam muito mais do que parece, não?

Créditos: NeuroSaber

TRANSTORNO GLOBAL DO DESENVOLVIMENTO: O QUE É TGD?

Pais e profissionais da educação se encontram em um caminho de dúvidas quando a criança é diagnosticada com o Transtorno Global do Desenvolvimento ou simplesmente TGD. Em meio a tantas nomenclaturas, é bem verdade que a explicação sobre o que isso se trata torna-se realmente necessária.
O TGD se constitui como um conjunto de transtornos que estão diretamente ligados ao TEA (Transtorno do Espectro Autista). Portanto, é comum que uma criança apresente síndromes como as que serão citadas a seguir, pois elas podem vir associadas:

Características desde a infância

Os pais podem ser os primeiros a notarem alguns traços que diferenciem seu filho das demais crianças. Isso acontece porque logo nos primeiros anos de vida, a comunicação acontece de maneira bem peculiar.
Crianças têm facilidade em estabelecer contato com todas as pessoas, sobretudo com outros pequenos. No caso do TGD, acontece de forma diferente, pois a criança tende a evitar uma comunicação que seja pautada no olho a olho e na fala, para citar apenas alguns exemplos.
Outro detalhe que precisa ser reparado é o fato de o pequeno ter dificuldade em começar ou manter uma conversação. Além disso, quando a criança é enquadrada dentro do TGD, ela pode apresentar resistência ao toque de outra pessoa, o que a leva ao isolamento.
Em muitos casos, o fato de brincar sozinho com um objeto específico é uma das poucas coisas que interessa ao pequeno. A comunicação pode se dar por meio de gestos, por muitos deles não serem adeptos à comunicação verbal (o que pode ser trabalhado com sucesso).
Um ponto que pode ser notado pelos pais e profissionais é o fato de a criança gostar de repetir ações que dão a ela ‘segurança’, como algo que esteja relacionado à sua rotina. É preciso perceber que o pequeno pode apresentar fixação em um objeto específico, ficando a observar por um tempo aquilo que desperta seu interesse.
Quando a criança decide falar, sua comunicação tende a apresentar a ecolalia, que é um fenômeno que se configura como uma repetição do que outras pessoas pronunciam perto dela; outro detalhe que pode ser notado é o uso de uma entonação mecânica.

O TGD e o ambiente escolar

Muitos educadores têm dúvidas sobre como conduzir as atividades sem deixar a criança com TGD de fora. A dica é respeitar as diferenças que o pequeno apresenta e procurar todas as possibilidades de incluí-lo nas atividades junto aos outros colegas.
Falamos anteriormente que a pessoa com TGD apresenta dificuldade para comunicação verbal e interação em geral, mas isso pode ser trabalhado arduamente na escola; respeitando-se, obviamente, o tempo de cada criança. As atividades voltadas para tal desenvolvimento incidirá sobre a capacidade do pequeno no campo da aprendizagem.
Aos professores, cabe também saber identificar em que esses alunos demonstram mais facilidade e, a partir disso, desenvolvê-los a fim de levá-los para outras etapas de aprendizagem.
Cuidados, paciência e dedicação podem amenizar de forma considerável as características do TGD na vida dos pequenos.


Créditos: entendendoautismo.com.br

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Você precisa incentivar a alfabetização do autista




Toda criança precisa praticar exercícios de alfabetização. E com os autistas, isso deve ser levado ainda mais a sério...

Sabia que quando o autista é incentivado de forma correta, isso só tende a contribuir de forma muito positiva no seu desenvolvimento? O aprendizado dos sons conta MUITO para a absorção do conteúdo por ele ou ela.

A consciência fonológica é o que apoia todo esse processo... 



Créditos: NeuroSaber

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O autista precisa sentir...

Assim como qualquer pessoa que não tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o autista tem o direito de ter sensações de gostos e cheiros...
Alguns autistas até possuem aptidões sensoriais normais, mas têm muita dificuldade de separar a informação importante do ruído! E não se pode fixar prioridades na multidão de sinais sensoriais que chegam ao cérebro deles.
Mas, para isso, ele precisa ter o seu sistema sensorial estimulado! E para apoiá-lo nisso, é importante entender todas as premissas referentes ao seu sistema nervoso!
Posso dizer que há 3 coisas importantes a serem exploradas:
1. Hipossensibilidades
2. Sensibilidades alternadas
3. Trabalho no sistema sensorial
Escrevemos um artigo que explica exatamente como entender cada um desses. Quero muito que você leia porque acredito que vai se interessar bastante pelas informações contidas nele:

Créditos: NeuroSaber

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O que é Psicomotrocidade?




Créditos: NeuroSaber

TDAH e Problemas de Aprendizagem

É muito comum que as pessoas confundam o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e os problemas de aprendizagem. Na verdade, ambos podem interferir no desempenho escolar da criança. O detalhe é quando querem colocar as duas condições no mesmo lugar, sendo que o TDAH e os problemas de aprendizagem têm causas distintas.
Contudo, é válido ressaltar que, embora os dois não tenham a mesma causa, as crianças podem apresentar os dois. Veja abaixo como o TDAH e os problemas de aprendizagem são diferentes.

TDAH

O TDAH é um transtorno neurobiológico e de causas genéticas. Ele aparece na fase infantil e pode durar até a vida adulta. Quando não é devidamente tratado, o TDAH pode abrir portas para comorbidades, como o TOD (Transtorno Opositivo Desafiador).
Outra consequência é que o TDAH na juventude está associado a um número considerável de evasão escolar, abuso de bebidas alcoólicas e outras drogas. Além disso, com o desempenho escolar prejudicado, a pessoa tende a não atingir as expectativas das notas dos exercícios.
As características do TDAH são inquietude, desatenção e comportamentos de impulsividade. Isso em se tratando de meninos (que respondem pela maioria). Já em meninas, o transtorno é mais notado pela apatia e consequente introspecção.

Tratamento – TDAH

O tratamento de uma pessoa com TDAH deve ser feito o quanto antes, sobretudo na infância. A equipe deve ser multidisciplinar e, sob orientação profissional, o uso de alguns medicamentos pode ser ministrado até que a situação da criança e do adolescente melhore.
O papel da escola também é importante para integralizar o aluno com TDAH aos demais colegas, e com o conteúdo dado em sala de aula.

Problemas de aprendizagem

Já os problemas de aprendizagem estão relacionados à dificuldade do aluno com alguma função na vida escolar. Mas é importante salientar que isso não é causado pelo aspecto da educação, como alguém que tenha dificuldade de resolver aquela operação matemática. É bem diferente.
Esses problemas de aprendizagem têm causas na atividade cerebral e são, erroneamente, minimizadas por muitos profissionais da educação. Alguns deles são bem conhecidos, tamanho o destaque que muitos veículos de comunicação têm dado a cada um deles. A criação de blogs pessoais, especialistas e portais favorece muito a divulgação de informações. Veja os principais abaixo.
– Disgrafia: dificuldade na escrita que engloba também erros de ortografia e outras situações como troca e omissão de letras.

– Discalculia: dificuldade de cálculos que impede o aluno de realizar operações matemáticas e identificar a função dos sinais.

– Dislexia: dificuldade consideravelmente comum em que as pessoas não conseguem realizar uma leitura.

– Dislalia: dificuldade na fala caracterizada também por alterações da formação normal dos chamados órgãos fonadores, o que impede a criação de determinados sons.

Tratamento – problemas de aprendizagem

Os casos que envolvem problemas de aprendizagem devem ser avaliados de perto por profissionais da saúde. Entretanto, a presença dos professores é indispensável para orientar o aluno e levá-lo a um progresso bastante considerável.Vale lembrar que o profissional da educação é um importante aliado na identificação desses casos, pois ele pode analisar o desempenho dos alunos e, assim, comunicar aos pais sobre a situação de seus filhos.


Créditos: NeuroSaber

DIFERENÇAS ENTRE SÍNDROME DE ASPERGER E TDAH



Muitas pessoas ainda vivem cercadas de dúvidas quando precisam identificar ou até mesmo falar sobre as diferenças entre a Síndrome de Asperger e o TDAH. De fato, não é uma tarefa simples, pois ambos os transtornos apresentam algumas semelhanças; entretanto, eles não podem ser encarados como o mesmo distúrbio.
Se de um lado, a Síndrome de Asperger e o TDAH apresentam seus pontos em comum; por outro, eles também têm suas características próprias, o que difere um do outro.
Importante saber a diferença
Antes de tudo, é muito importante que se saiba diferenciá-los, até mesmo para que a intervenção utilizada seja eficaz para garantir uma qualidade de vida excelente à pessoa e a seus familiares.

Asperger X TDAH: comunicação

Você já sabe que não se pode colocá-los no mesmo pacote, pois ambos são diferentes. Enquanto uma criança, por exemplo, com a Síndrome de Asperger apresenta certa dificuldade com a forma que eles usam a linguagem; uma pessoa jovem que tem TDAH não necessariamente demonstra esse déficit ao se comunicar pela fala.
Para ilustrar nossa explicação, tomemos como exemplo o João (com Asperger) e o José (TDAH). Enquanto o João encontra dificuldade para entender a linguagem não literal, como o uso de gírias ou outras expressões; o João já consegue se sair bem e compreende o contexto da fala de seu interlocutor sem obstáculos.
João fixa mais em seus assuntos e não é tão flexível para mudar a conversa, falar sobre outro tema.  Além disso, João não usa tanta inflexão em sua voz. José, por sua vez, conversa mais e aborda uma temática mais variada. Outra diferença é que José abre espaço para que seu interlocutor também se expresse e até mude de conversa, proporcionando um ambiente mais recíproco.
A comunicação entre quem tem a Síndrome de Asperger e o TDAH mostra a sua diferença nos casos mostrados acima: enquanto o primeiro caso apresenta uma considerável limitação quanto ao uso da linguagem; o segundo é mais extenso e mostra uma fluência verbal mais elaborada e receptiva.

Asperger X TDAH: comportamento

João tem Síndrome de Asperger. Com isso, ele tende a ter dificuldade para perceber determinadas situações acerca da receptividade do outro. João não consegue interpretar expressões faciais, por exemplo, e isso implica em um comportamento excêntrico e que apresente até mesmo uma característica única, unilateral.
José tem TDAH e embora ele se distraia muito facilmente, ele consegue interpretar as situações às quais ele está inserido. José também consegue se sair melhor nas interações sociais que fazem parte de seu cotidiano.
No entanto, José pode ter momentos de maior impulsividade, quando comparado ao João. Acontece que uma das características do TDAH é esse lado mais distraído ou agitado; ele está mais propenso a agir com mais impulso, o que muitos enxergam como mau comportamento.
No caso de João, ele pode preferir a companhia de adultos e, em muitos casos, as situações sociais significam uma situação estressante para ele. Diferente do José que, mesmo mais impulsivo, consegue se orientar melhor em contato com muita gente.
A pessoa com a Síndrome de Asperger tende a ter maior sensibilidade sensorial: sons, gostos, olfato; além de estar mais propenso a rotinas como forma de segurança em suas ações. A criança com TDAH, no entanto, consegue se sobressair diante dessas situações, tendo apenas a hiperatividade e/ou a desatenção em sala de aula como algo a ser tratado.
Intervenção
É imprescindível que em ambos os casos, uma equipe multidisciplinar atue como forma de garantir uma intervenção adequada e que garanta qualidade de vida a essas pessoas. Cada caso deve e precisa ser resolvido de maneira individual. Nunca se esqueça!


Créditos: EndendendoAutismo